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Embora o Brasil tenha experimentado um aquecimento do mercado imobiliário, tornando possível o sonho da casa própria, é certo que esse sonho não se conclui com a simples aquisição de um imóvel. Adquiri-lo é apenas o primeiro passo. Morar bem não é simplesmente residir num endereço fixo. Para mim, o verbo morar deve ceder lugar ao verbo viver: viver em casa, viver bem, com funcionalidade, de forma aconchegante.
Ocorre que o mercado não atende as conveniências, necessidades e interesses particulares de cada comprador. Uma família de quatro pessoas (casal e dois filhos) adquire apartamento igual àquele comprado por um casal sem filhos. Tal circunstância transfere ao comprador o ônus de adequar o imóvel padronizado pela construtora-incorporadora às suas peculiaridades, ditadas pelas necessidades reais de cada um.
Na busca de uma maior %u201Cpessoalidade%u201D no mercado imobiliário, ainda de forma incipiente, assistimos ao surgimento pioneiro de projetos que obedecem apenas aos limites externos do prédio, permitindo que cada novo proprietário, a seu gosto, distribua e divida internamente seu imóvel. Essa seria uma solução ideal, por imprimir ao mercado a flexibilidade desejada, não fosse o aumento significativo dos custos finais da obra, motivo pelo qual essa opção tem sido cogitada apenas em se tratando de imóveis destinados às classes economicamente mais favorecidas.
Sendo assim, a partir de um imóvel pronto, dividido de forma padronizada, compete ao proprietário adequá-lo ao seu %u201Cjeito de morar%u201D. A arquitetura, com o auxílio de profissionais competentes e da tecnologia, tem conseguido, observando o custo-benefício, oferecer soluções que atendam o que podemos chamar de %u201Cnovo conceito de morar%u201D, que pressupõe um espaço que nos abrigue e, principalmente, que restaure as nossas forças.
Mais do que conforto, o novo conceito de morar pressupõe um espaço que conte nossas histórias, que crie em nós sensações agradáveis. Longe de ser consumismo, a casa deve ter a identidade, deve expressar o nosso jeito de ser e de viver.
Cíntia Cunha Mello, Arquiteta
Fonte: Jornal Estado de Minas