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Assim como outras capitais, Belo Horizonte está crescendo de forma acelerada e muitos bairros já sentem os reflexos desse movimento. Uma das consequências do desenvolvimento é a falta de espaços para construções. Para solucionar o problema, há profissionais que defendem a verticalização urbana para melhor aproveitamento das áreas.
Para explicar como funciona a solução, o arquiteto e diretor de projetos do Sindicato da Construção Civil de Minas Gerais (Sinduscon-MG), Oscar Ferreira, diz que quando se colocam quatro prédios de quatro andares, um em cima do outro, por exemplo, ter-se-á um único edifício de 16 andares. “Quando se constroem prédios, o coeficiente e o potencial construtivo se mantêm os mesmos, porém, ocupando menor território. Assim, teremos mais espaços livres”, diz.
Ferreira acredita que a verticalização é a grande solução construtiva para abrigar, em pequenos territórios, um maior número de famílias. “Além de agredir menos o meio ambiente, é possível uma significativa economia de escala, infraestrutura e transporte público. Uma cidade verticalizada diminui as distâncias de percurso”, completa.
O arquiteto e diretor da Torres Miranda, Júlio Tôrres, observa que a verticalização não é um processo ruim por si só. “Assim como em todas as formas de ocupação humana, se bem pensada pode trazer resultados benéficos para a população. O termo verticalização é sempre visto de forma negativa, imaginado como uma invasão de arranha-céus, onde outrora bucólicas casas repousavam. Um paredão de prédios sufocando a população.”
Isso pode ocorrer se não houver planejamento. Caso contrário, a solução é positiva, contribuindo para um mundo mais sustentável, segundo Tôrres. “Paradoxo? Não. A verticalização pode reduzir problemas de mobilidade urbana. Mais pessoas vivendo próximas do local de trabalho, compartilhando uma boa infraestrutura urbana, que pode ser concentrada e potencializada em porções menores da cidade.”
O arquiteto explica como a alternativa pode favorecer o meio ambiente. Conforme Tôrres, em cidades muito grandes, que cresceram desordenadamente e têm grande ocupação territorial, são necessários grandes deslocamentos da população. “Se o transporte público não for eficiente (como não o é no Brasil), a população será refém de horas perdidas no trânsito, tempo esse que poderia ser revertido em seu próprio lazer”, afirma Tôrres.
Mas, mais do que uma alternativa, a verticalização é uma realidade, diante da qual não há como se esquivar. Para Ferreira, não há como brigar contra esse fenômeno, pois o crescimento populacional exige a readequação dos espaços. Em bairros mais tradicionais, em que as construtoras estão atentas aos terrenos para obras, moradores de casas antigas acabam se sentindo pressionados a entregar seus imóveis às construtoras, pois não querem ficar cercados e isolados por prédios, como salienta o arquiteto.
PRESSÃO
Morador do Bairro Gutierrez, Região Oeste de Belo Horizonte, durante 30 anos, o engenheiro civil Antônio Savino Campos foi um dos proprietários que recebeu oferta para negociar a casa onde morava e que foi construída por ele mesmo. “Um dia, desci ao jardim de pijama para pegar as correspondências na caixa de correio e um corretor me abordou, perguntando se eu tinha interesse em vender a minha casa.”
Apesar de nunca ter pensado na possibilidade, ele começou a analisar a proposta. “Combinei com o vizinho da casa ao lado e negociamos a venda juntos. Foi um bom investimento. Comprei uma casa muito melhor e ainda sobrou dinheiro”, conta Campos, que atualmente mora no São Bento, Bairro da Região Sul de Belo Horizonte.
Fonte:Jornal Estado de Minas