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Vai longe o tempo em que apenas os muito ricos - ou os verdadeiramente milionários - viviam em imóveis com valor acima de R$ 1 milhão em Belo Horizonte. Se há alguns anos uma casa ou apartamento desse preço estava apenas em áreas nobres da cidade, hoje a oferta é bem mais democrática. Dos 324 bairros de Belo Horizonte pelo menos 70, ou 20% deles, têm imóveis à venda com preços acima de R$ 1 milhão.
A lista abrange bairros tradicionalmente de elite, como Belvedere e Lourdes, mas inclui também Planalto, Serra, Prado, Buritis, Betânia, Dom Bosco, Padre Eustáquio, João Pinheiro, Alípio de Melo, Carlos Prates e muitos outros. Os anúncios estão em sites da Lar Imóveis e das redes Morar, Imvista e Net Imóveis e contemplam tanto apartamentos, quanto as casas.
"Imóvel de R$ 1 milhão não é mais tão caro", diz o presidente da Câmara do Mercado Imobiliário (CMI), Ariano Cavalcanti de Paula. Ele explica que fatores como a localização, o custo do terreno e a infraestrutura do imóvel (acabamento, número de quartos e vagas na garagem e áreas de lazer), além do preço da mão de obra e da matéria-prima contribuem para elevar o custo das edificações.
O diretor imobiliário do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-MG), Bráulio Franco Garcia, diz que o valor já é comum por todo o eixo Sul, da Serra ao Gutierrez, mas pode ser encontrado em toda a cidade. "Para todo lado tem imóvel de R$ 1 milhão", diz o diretor-presidente da Lar Imóveis, Luiz Antônio Rodrigues.
Ele explica que a diferença é que em bairros de classe média esse valor compra imóveis maiores ou mais bem acabados e em áreas de luxo é suficiente apenas para um apartamento compacto, em prédios mais modestos.
Se o valor sobe nas áreas de classe média, vai às alturas nas regiões mais nobres.
Levantamento do Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis da Universidade Federal de Minas Gerais (Ipead/UFMG) mostra que o valor máximo de apartamento na cidade é uma cobertura de R$ 5,6 milhões. O metro quadrado mais caro está em Lourdes, onde o valor pode chegar a R$ 12 mil, segundo o mercado.
Usados. A valorização dos imóveis usados também contribui para elevar o valor cobrado pelos novos. "O comprador em potencial para um imóvel de alto valor é quem já tem um imóvel e quer fazer um up grade", explica o diretor do Sinduscon-MG, Bráulio Garcia. Se o usado vale mais, o comprador pode procurar uma nova moradia também com preço mais alto.
A farta oferta de crédito para o setor imobiliário é outro fator decisivo na compra de um imóvel com preço na casa dos milhões de reais em Belo Horizonte. Também pesa sobre o preço do imóvel a procura maior e a oferta que nem sempre acompanha essa crescente demanda.
Imóvel "barato" não existe
Apartamento de menos de R$ 100 mil não existe em Belo Horizonte desde maio do ano passado. A pesquisa imobiliária do Ipead/UFMG mostra que o apartamento mais barato à venda na cidade é um popular de dois quartos que custa R$ 150.427. O dado mais recente é de junho.
No mesmo mês do ano passado, um imóvel semelhante custava R$ 111 mil. A alta no período foi de 35%. Comparando com os valores de 2006, quando um apartamento do mesmo padrão custava R$ 39 mil, o aumento foi de 285%.
A escassez de terrenos é apontada pelo diretor imobiliário do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-MG), Bráulio Franco Garcia, como o principal motivo da carestia dos imóveis. Ele diz que a extinção dos apartamentos com valores inferiores a R$ 100 mil já acontece também em cidades próximas à capital.
"A falta de terreno contaminou a Região Metropolitana e encontrar um imóvel de R$ 100 mil é quase impossível", diz. (APP)
Fonte: Jornal O Tempo