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É natural que, com o passar dos anos, sejam necessárias mudanças em casa para adaptá-la aos diferentes momentos da vida. Primeiro, a chegada dos filhos, que em alguns anos crescem e, logo depois, vão embora. Os pais, por sua vez, chegam à terceira idade, demandando cuidados especiais com a segurança. Para evitar transtornos e obras constantes, o ideal é planejar uma casa com a flexibilidade para adaptações futuras. Por isso, a arquiteta Andréa Parreira diz que o projeto deve possibilitar sua total reversão, quando for necessária a renovação do uso e finalidade dos espaços. “A idealização de qualquer projeto personalizado é subsidiada com informações do estilo e modo de vida dos moradores. Esses parâmetros são materializados com a real possibilidade de transformações ao longo do seu uso pela família, em 10, 20 e 30 anos”.
A designer de interiores Adriana Domingos diz que é importante desenvolver um projeto que leve em consideração o imóvel para uso a longo prazo para que, no futuro, não haja gastos desnecessários. “Um projeto bem elaborado possibilitará adequar as necessidades ao melhor custo/benefício”, considera.
Designer da Lider Interiores, Rafael Cândido também ressalta o fator economia como um grande ponto a favor de se pensar a arquitetura e a decoração mais durável com o passar do tempo. “A maioria das pessoas não dispõe de recursos para trocar a decoração da casa com frequência. Devido a isso, ela deve ser pensada para utilização de pessoas de todas as idades”, explica.
Para que esse planejamento seja feito tendo em vista o longo prazo, a designer de interiores Desiré Gagliard aponta alguns aspectos que devem ser considerados na hora de fazer o projeto. “Viabilidade (exequibilidade), segurança, acessibilidade, praticidade, isolamento térmico e acústico”, indica. Na sala, por exemplo, a indicação é para que sejam usados revestimentos práticos e laváveis. Nesse ambiente, é preciso, ainda, ter atenção para altura do assento. No quarto, a preocupação deve ser com o isolamento térmico e acústico, e mobiliário com altura confortável. “A cozinha precisa oferecer segurança e praticidade, movimentação prática e acabamento de fácil manutenção. O banheiro deve ter pisos antiderrapantes, barras de apoio e de proteção”, exemplifica.
Apesar de parecer algo óbvio para muita gente, a designer de interiores Adriana Domingos chama a atenção para o uso de móveis de tamanhos adequados, de simples utilização e que facilitem a circulação na sala. No quarto, além de confortável, é preciso que o mobiliário seja de fácil manutenção e permita regulagens de altura. “A cozinha deve ter móveis de fácil limpeza, que proporcionem uma boa organização e utilização, e o banheiro, materiais resistentes, com design que proporcione maior segurança”, completa Adriana.
CUIDADOS Como a criança cresce e não gosta mais do que é infantil, e à medida que envelhece o adulto precisa de mais segurança em casa, Rafael Cândido diz que na sala, por exemplo, devem ser evitados móveis de vidro, como mesas de centro e canto, além de espelhos. “Os sofás devem ser mais firmes e mais altos para que idosos usem com facilidade; os tapetes devem ter pelos mais baixos para evitar quedas e alergias nas crianças, e as circulações devem ser mais espaçosas para impedir esbarrões ou facilidade de locomoção de um cadeirante”.
A atenção à altura dos móveis também é destacada pelo designer de interiores, principalmente no caso da cama, para minimizar quedas, caso elas ocorram. “No quarto é preciso, ainda, observar a firmeza do colchão, privilegiar iluminação indireta para não agredir os olhos e no armário, manter sempre à mão o que é mais utilizado, evitando o uso de escadas. No caso dos interruptores, eles devem ficar próximos à cabeceira da cama para evitar locomoção no escuro”, detalha Rafael Cândido.
Por fim, ele diz que, na cozinha, a altura da bancada da pia deve ser de acordo com a estatura de quem a utiliza. E assim como ocorre em relação ao banheiro, a segurança merece destaque, com investimento em piso antiderrapante. “Ainda no caso do banheiro, o box deve ser de vidro temperado ou laminado, pois caso venha a quebrar, corre-se menos riscos de ferir quem o estiver utilizando”, acrescenta.
Fonte: Jornal Estado de Minas