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Belo Horizonte é uma cidade que se caracteriza pelo relevo montanhoso em grande parte de sua área, aspecto que pode ser percebido principalmente nas regiões Centro-Sul e Leste. E não precisa ser nenhum expert em geologia para perceber que a topografia é adversa. Basta um passeio pelas ruas da cidade para começar o sobe e desce das ladeiras, com muitas construções em áreas acidentadas.
A construção nesses tipos de terrenos exige uma série de cuidados, muito investimento e pessoal altamente qualificado para realizar as obras. De acordo com o diretor técnico de obras da Habitare, César Augusto Silva Brito, uma construção segura nessas áreas deve seguir à risca as práticas da boa engenharia. “Todas as etapas e projetos devem ser trabalhados com competência, comprometimento, com a melhor otimização de custos, e é primordial o monitoramento da execução do serviço por profissional habilitado e especializado”, ressalta.
Sócio-proprietário da Arqsol Arquitetura e Tecnologia, o arquiteto Tião Lopes diz que a primeira coisa é fazer uma sondagem do terreno. “Depois, ele precisa verificar se a encosta está em até 44 graus de inclinação, que é o máximo permitido pelo Código das Águas”, esclarece.
Também é fundamental conhecer a natureza do solo do terreno – tipo, existência de aterro e outros – e o comportamento das águas pluviais no local, conforme o coordenador do curso de especialização em construção civil da UFMG, engenheiro civil Dalmo Lúcio Mendes Figueiredo. “Para isso, é necessária a assessoria de um especialista em geotecnia.”
INIMIGO NÚMERO UM Os aspectos relativos à drenagem das águas pluviais devem ser considerados com muita ênfase, destaca o professor. Isso porque a água é o inimigo número um dos engenheiros civis. “Os bons profissionais devem sempre estar atentos à interferência da água sobre as alterações na topografia de um terreno. O comportamento da água muda conforme se altera a conformação superficial do terreno.”
Principalmente em regiões com aclives acentuados e em períodos chuvosos, se tais cuidados não forem tomados, podem ocorrer acidentes graves, como o desabamento de um imóvel na terça-feira no Bairro Buritis, Região Oeste de Belo Horizonte. Interditado desde outubro sob o risco de desmoronamento, o Condomínio Vale dos Buritis teve sua situação agravada pelas chuvas.
O problema estrutural se refletiu até mesmo no prédio vizinho, o Brisas do Vale, que, apesar de não sofrer avarias, pode ser afetado caso alguma edificação vizinha caia. E, com as chuvas, a situação se agrava. “Se a água se concentra em pontos que não foram devidamente tratados, criam-se as enxurradas que provocam as erosões. A tendência das erosões é aumentar a cada chuva”, diz Dalmo Figueiredo.
Assim como o Buritis, outra região com terrenos acidentados e que tem ganhado destaque na construção civil nos últimos anos é Nova Lima, município da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Mas nem mesmo a topografia adversa fez com que o engenheiro metalúrgico Eduardo Bicalho desistisse de construir na cidade duas casas, uma delas ainda não concluída.
De acordo com ele, não há dificuldades, mesmo se tratando de terrenos acidentados, porque o problema é resolvido pelos profissionais da construção.
Fonte: Jornal Estado de Minas