Cresce a venda de mansões

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Domingo, 11 de abril de 2010 - Assim como em outras grandes capitais brasileiras, o mercado de comercialização de mansões mostra vigor na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Embora com demanda e oferta bem menores se comparadas a outros segmentos imobiliários, em função dos altos preços, a partir de R$ 4 milhões, esse mercado vem ganhando impulso, embalado principalmente pelo dinheiro "novo" gerado pela expansão da economia brasileira.

"Embora esse mercado tenha características próprias, com oferta e demanda mais restritas e um tempo de negociação normalmente maior que o de imóveis de outros padrões, temos registrado o crescimento da velocidade de vendas de mansões nos últimos dois anos, sobretudo nos últimos 12 meses. Atribuo esse crescimento à franca expansão da economia, que abre novas oportunidades em setores até então pouco desenvolvidos no país. Nosso público é bem heterogêneo, mas é formado principalmente por empresários, vindos de famílias não tradicionais, que estão ganhando dinheiro em atividades como atacado de alimentos e reciclagem de materiais", diz Anuar Donato, proprietário da Anuar Donato Imóveis, empresa que atua há 36 anos na comercialização de imóveis de luxo e altíssimo luxo na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Ricardo Pitchon, vice-presidente da Gribel Pactual, empresa formada há cerca de um ano com a união de duas das mais conceituadas imobliárias da capital %u2013 a Gribel Imóveis e a Pactual Negócios Imobiliários, e uma das líderes de mercado na comercialização de imóveis de alto padrão e luxo, confirma esse novo perfil do cliente do segmento de mansões. "Hoje, o dinheiro está mudando de mãos e a maioria dos clientes para este tipo de produto é formada por empresários bem-sucedidos, oriundos de famílias mais humildes, que buscam uma casa luxuosa e bem localizada não só pelo conforto, mas também como afirmação de sua nova condição social", diz.

O céu é o limite

Preço de mansões em BH e região metropolitana varia entre R$ 4 milhões e R$ 8 milhões, mas pode facilmente triplicar o valor

Além do luxo, conforto e status, os compradores de mansões buscam, é claro, a segurança. Por isso, os imóveis localizados em condomínios fechados são os preferidos pela maioria dos clientes. "De cada 10 casas que vendemos, sete estão em condomínios fechados", afirma Ricardo Pitchon, vice-presidente da Gribel Pactual.

Segundo Anuar Donato, proprietário da Anuar Donato Imóveis, a oferta desse tipo de imóvel na Região Metropolitana de Belo Horizonte está concentrada em condomínios residenciais de luxo de Nova Lima, como o Vale dos Cristais, o Village Terrasse ou a Villa Alpina, e no exclusivíssimo Clube dos Caçadores, situado no Bairro das Mangabeiras, na capital. "Mas temos oferta com uma boa procura também pelas casas de rua em Belo Horizonte no próprio Mangabeiras, no Belvedere e também no São Bento", diz.

Tanto luxo e sofisticação tem seu preço, que tem se elevado ainda mais nos últimos tempos em função do crescimento da demanda. Conforme Ricardo Pitchon, em média, uma mansão em Belo Horizonte e Nova Lima custa entre R$ 4 milhões e R$ 8 milhões. "Mas nesse segmento o céu é o limite. Já tivemos negócios que ultrapassaram os R$ 20 milhões", revela.

De acordo com Fernando Antunes, sócio-diretor da Lopes, têm maior liquidez de venda as mansões mais novas, com no máximo 10 anos de construção, situadas em terrenos mais planos, com projeto arquitetônico moderno e mais horizontais, com dois pavimentos. "A idade do imóvel é muito importante para o comprador, que prefere não ter que investir em grande reforma. Mas como o mercado é feito por revendas de imóveis usados %u2013 não existe empreendedor que invista na construção de mansões para venda %u2013, o universo de produtos a ser trabalhado é sempre muito pequeno", assinala. Ricardo destaca que em relação ao projeto arquitetônico são preferidas pelos clientes as mansões com fachadas de vidro, pintadas em branco, em estilo clean, e que ocupem a menor parte possível do terreno, sobrando espaço assim para grandes jardins e área de lazer privativa e sofisticada. "A área de lazer privativa, mesmo em condomínios fechados de completa infraestrutura, é muito valorizada por esses clientes. Eles querem, além de uma boa piscina, sauna, quadra de tênis, espaços fitness e gourmet, área de churrasqueira e até uma adega em casa", detalha Anuar.

A configuração dos ambientes internos também é importante, assegura o empresário. "As mansões precisam ter pé-direito alto, ambientes amplos e arejados, suítes em todos os quartos, varandas, cozinhas espaçosas, ambientes reservados, como um estar-íntimo. Uma bela vista também é prioridade", observa, ao lembrar que o acabamento com materiais nobres, como metais sofisticados e mármores italianos, é outra exigência do cliente.

A área de serviço e a dependência de empregados também são itens fundamentais para que uma mansão tenha maior liquidez de venda. Anuar Donato informa que o imóvel precisa oferecer ampla lavanderia e, no mínimo, acomodações privativas para três empregados.

O tamanho da garagem é outro item importante, diz Ricardo. "As garagens têm de oferecer entre seis e nove vagas, porque as mansões são procuradas geralmente por famílias com quatro, cinco pessoas, cada um com o seu carro e quando há crianças, sempre existe, no mínimo, um carro com motorista à disposição delas. Sem falar que nesse nível social as pessoas costumam ter mais de um carro e alguns são colecionadores", destaca.

Atendimento especializado

 

Por ser um mercado peculiar, com produtos de grande valor e um público qualificado, a comercialização de mansões exige a intermediação de profissionais altamente especializados. "Nesse mercado, não basta ter oferta e demanda, é preciso estar capacitado para ligar esses dois pontos. Por isso, investimos na qualificação de nossos corretores", diz o vice-presidente da Gribel Pactual, Ricardo Pitchon.

Ele informa que a empresa mantém um departamento de atendimento especial para os clientes interessados em comprar imóveis de alto luxo, chamado de Private, com corretores altamente especializados, muitos deles oriundos de famílias tradicionais. "São profissionais capazes de argumentar, de igual para igual, com o cliente desse nível, que sabe o que quer, não pode perder tempo, mas também não age por impulso. Ao contrário, faz muito bem as contas antes de decidir pela compra", observa.
Além da capacidade de argumentação com os clientes, a intermediação de um negócio desse nível, lembra Ricardo, requer cuidados na seleção dos imóveis que serão apresentados ao cliente. "O cliente não quer visitar 38 imóveis para tomar uma decisão. Então, é preciso que o briffing seja muito bem feito, tenha detalhadas todas as características pretendidas pelo cliente, como localização, estilo arquitetônico, idade do imóvel, itens de lazer etc., para que a busca seja encerrada no menor tempo possível", acrescenta.

 Fonte: http://www.estaminas.com.br/em.html

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