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"Mais do que uma casa bonita, o consumidor de classe C sonha com a decoração que aparece na novela da Globo", diz o arquiteto Guto Requena, ex-pesquisador do Núcleo de Estudos de Habitares Interativos da Universidade de São Paulo (USP). "E essa geralmente não é a proposta que um arquiteto ou design de interiores vai apresentar."
Como as referências são diferentes, cliente e decorador passam por alguns percalços. "Depois de alguns anos passei num conjunto habitacional que planejamos no interior de São Paulo e a fachada havia sido totalmente mudada." Requena conta que surgiram colunas gregas e bay windows, entre outras referências neoclássicas. O arquiteto comanda o programa "Nos Trinques", do GNT, que discute o design na cidade. "É o acessível, útil, que tenha a ver de fato com a vida das pessoas."
Em muitos casos, trata-se do design possível. "A minha primeira experiência com uma família de classe C foi muito tumultuada", conta Saulo Szabó. "O casal não aceitava nada do que eu oferecia. Os dois idealizavam a casa da novela, que além de tudo não cabia no orçamento. Foi muito difícil acabar a decoração e ninguém, nem o escritório nem o cliente, saiu satisfeito." Hoje, Szabó deixa claro na primeira conversa a sua linha.
Ainda é a minoria que procura um decorador. "A maioria não quer pagar pelo projeto, porque sabe que compraria algo de valioso para casa com esse dinheiro", pondera Requena. É um público que procura ser autodidata e pesquisa guias. "A faxineira do escritório, por exemplo, coleciona revistas de decoração".
Fonte: http://portal.cruzeirodosul.inf.br/acessarmateria.jsf?id=294903