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Essa semana promete ser decisiva para Belo
Horizonte. Pelo menos no que se refere à organização da ocupação imobiliária da
cidade. As atenções se voltam para as alterações que a prefeitura promete
apresentar ao projeto 820/09 que revê a Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do
Solo e o Plano Diretor da cidade, em andamento na Câmara dos Vereadores.
As propostas previstas no projeto do
Executivo irão mudar as regras que definem a liberação de empreendimentos
imobiliários. Bairros como o Buritis, na região Oeste, hoje considerado
saturado, podem ser bastante afetados pelas mudanças.
O texto também pode abrir caminho para negócios bilionários às margens da
MG-020, entre Santa Luzia e Vespasiano, na região metropolitana.
Nesse cenário, moradores e especialistas preocupados com o crescimento
desordenado da cidade travam uma guerra com o setor de construção civil, que
faz pressão para flexibilização das normas de olho na possibilidade de emplacar
novos empreendimentos.
Como a polêmica promete, a vereadora Neusinha Santos (PT) anunciou para essa
semana um seminário, quando os vereadores deverão discutir o substitutivo
proposto pelo Executivo.
Em tese, um dos principais objetivos do projeto é frear o processo de
verticalização pelo qual a cidade vem passando ao longo dos anos. Mas como a
pressão é forte, a queda de braço entre defensores e opositores da proposta
promete tirar o sono do Executivo e dos vereadores nos próximos dias.
Em todos os bairros, o coeficiente de aproveitamento, que define o que é permitido
construir em relação ao tamanho de cada área, deverá ser reduzido em 10%. Mas
no Buritis, a mudança deverá ser ainda mais significativa.
Com a proposta, o bairro deixa de ser considerado uma Zona de Adensamento
Preferencial (ZAP), região considerada com condições favoráveis ao adensamento,
e passa a ser Zona de Adensamento Restrito (ZAR), onde as condições de
infraestrutura, topografia e tráfego exigem uma restrição na ocupação.
Os bairros Carlos Partes e Padre Eustáquio, na região Noroeste, Prado, na
Oeste, e Santa Efigênia e Santa Tereza, na região Leste da capital, também
serão alvo de discussão. A tentativa é de evitar que aconteça nessas regiões o
mesmo que houve no Buritis e Belvedere, na região Centro-Sul, que têm sido
palco de uma intensa verticalização.
Esses bairros, que são prioritariamente residenciais, deixam de ser ZAP e
passam a ser considerados Zona Adensada (ZA), onde o ritmo das construções deve
ser desacelerado.
Construções podem ser restringidas
Novas regras. Com o novo projeto de lei, o coeficiente de aproveitamento do
bairro Buritis pode passar de 2 para 1,3. Isso significa que antes em um
terreno de
Cobrança
Moradores aprovam freio na verticalização
Moradores dos bairros que serão contemplados pelo projeto e que terão que
restringir sua expansão concordam com a nova restrição às construções. Há 40
anos, a aposentada Heloiza Helena Piló de Oliveira mora no bairro Prado, na
região Oeste. Ela reclama que a construção de grandes prédios, nos últimos
anos, descaracterizou o bairro que sempre foi marcado por casas.
"As ruas do bairro são estreitas, o trânsito está comprometido. As
entradas de acesso ao bairro já não comportam o número de pessoas que
circulam", avalia.
Segundo a presidente da Associação dos Moradores do Bairro Buritis, Maria de
Fátima Gottsthalg, a restrição ao adensamento é uma demanda antiga dos
moradores. "O bairro não tem infraestrutura de esgoto, saúde, escolas e
tráfego para tanta gente. a região foi planejada para ter unidades
unifamiliares, ou seja, um lote, uma casa. Hoje temos espigões de 80
apartamentos" avalia. (TT)
Embate
Projeto abre conflito com as construtoras
Um dos pontos mais polêmicos do projeto de lei que revê a Lei de Uso e Ocupação
do Solo promete gerar um impasse entre prefeitura e construtoras. O texto
elaborado pelo Executivo prevê que a partir de agora, áreas como garagens,
salão de festas e escadas sejam consideradas como parte do poder construtivo de
cada terreno. Hoje, a lei só considera as áreas internas de cada apartamento.
Isso significa que uma área que tinha permissão para construir
O professor de Urbanismo e Arquitetura da PUC Rogério Palhares considera que a
medida é justa. "Esse dispositivo está correto. Afinal, o morador paga a
mais por essas áreas", avalia.
O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Minas
(Sinduscon), Luis Fernando Pires, aposta que os vereadores não irão aprovar a
medida. "O primeiro impacto do projeto será encarecimento do imóvel".
O vereador Leonardo Mattos (PV) critica que a medida. "Isso irá diminuir
em 50% o espaço destinado aos apartamentos que terão que ser muito
menores", diz. (TT)
Fonte: O Tempo / MG -
TâmaraTeixeira - http://clipimobiliario.com.br